segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Vida entrelinhas

Desde pequeno, o traço mais marcante de José Felipe Utsunomia Chagas era a introversão. Palavras nunca foram o seu forte, por isso, quando disse que o entrevistaria ele falou de imediato: “Por que eu? Não sirvo para essas coisas!”. Depois de sete minutos de negociação, o músico, estudante de design gráfico e amante do futebol, que hoje tem 23 anos, concordou em contar um pouco de sua vida.
Lipi, como é conhecido, terminava de recortar imagens para seu portfólio, quando comecei a sessão de perguntas. Ele não se lembra, ao certo, como era quando criança, mas sobre esse período de sua trajetória já tenho algumas informações. Isso porque, passamos boa parte da infância jogando bola e pulando elástico juntos na rua de baixo de sua antiga casa, localizada no Parque Santa Rosa, em Suzano. O mestiço (mãe japonesa e pai brasileiro) sempre foi caladão. O que ele gostava mesmo era de dar risada. Essa é a memória mais vívida que tenho daquela época. Apesar da timidez, José Felipe era um menino alegre e sapeca.
Na adolescência, Lipi percebeu que não se interessava pelos modismos. Ele não bebe, não fuma, não gosta de baladas e jamais experimentou qualquer tipo de droga, ou seja, na visão dos jovens da atualidade José Felipe pode ser considerado um “careta”. Mas não é assim que ele se define. Quando toquei no assunto, ele disparou sem rodeios: “Não sou retrógrado, nem careta! Sou consciente e não vou ficar bebendo e fazer besteira por aí. Isso não combina comigo!”.
Felipe foi criado sem pressões, filho de pais separados, sempre teve total liberdade e autonomia para fazer suas escolhas. Tanto pôde escolher que decidiu ser diferente. A coisa mais rebelde que já vez em sua vida foi montar uma banda de rock (New Metal) com os amigos do colegial. O grupo, no qual Felipe tocava teclado e pick-up, chegou a gravar um CD, mas diversos contratempos fizeram com que banda, intitulada “Dump”, chegasse ao fim.
As artes, outra grande paixão de Lipi, o levaram a cursar Desenho de Animação na Universidade Braz Cubas. Excelente desenhista, ele não se contentou apenas com uma formação. Hoje, Felipe estuda design gráfico na Escola Panamericana de Artes e continua tocando teclado com sua nova banda (Bendito Seja). Não era preciso perguntar para saber que o grande desejo desse menino/homem é viver de música. “Um dia espero conseguir mostrar meu trabalho e não me preocupar com mais nada que não seja a música”.
A morte de sua mãe (ilustre jornalista da região), há três anos, provocou uma reviravolta na vida de José Felipe. O jovem se mudou para a casa do pai em Mogi das Cruzes e passou a conviver com uma nova família. Sua irmã mais nova, Nayara, foi quem deu suporte e forças para que ele superasse o “momento mais triste de sua vida”. Contudo, nem mesmo a perda foi capaz de tirar aquele sorriso escancarado que ele distribui por aí, sem esperar recompensas.
Para “arrancar” essas passagens da trajetória de José Felipe, foi preciso paciência. Um silêncio ensurdecedor sucedia cada pergunta feita. Mas o silêncio, por si só, já diz muito sobre as pessoas e, neste caso, convida a conhecer o que existe por trás do olhar de menino e do sorriso maroto. Felipe fala nas entrelinhas.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Beisebol brasileiro na mira dos gringos

Por Débora Kaoru e Orlando Olivas

O Brasil é conhecido mundialmente como o país do futebol. Mas o que muitas pessoas não sabem é que vários esportes populares em outros países têm conquistado espaço em todo o território nacional. Um exemplo é a procura por aulas de beisebol que aumenta a cada ano, especialmente na Região do Alto Tietê. Em virtude desse avanço registrado na última década, hoje os atletas brasileiros são cobiçados por grandes clubes internacionais.
De acordo com o técnico da equipe Gecebs, Estevão Sato, ex-jogador e comandante da Seleção Brasileira de Beisebol, o interesse pelo esporte seria muito maior se houvesse ampla divulgação e investimentos privados. “Os patrocínios se concentram exclusivamente no futebol”, afirma o técnico. A equipe Gecebs nasceu em Arujá, conhecida como “Cidade do Beisebol”. O município ganhou o apelido por reunir o maior número de times na modalidade em todo o estado de São Paulo.
Apesar das dificuldades enfrentadas pelos clubes, o esporte tem se fortalecido. Depois do Pan do Rio de Janeiro, em 2007, olheiros dos Estados Unidos e Japão passaram a visitar o país com mais frequência. Esses agentes rodam o mundo atrás de novos e lucrativos talentos, como o adolescente Thiago Vieiras, de 17 anos, que atuava no Gecebs. O jovem arremessador, posição considerada a mais importante no beisebol, foi contratado na última semana para integrar uma equipe americana.
Segundo Sato, seis clubes internacionais disputavam o passe do arremessador, mas o garoto optou pelo time americano. “Torcemos pelo sucesso do Thiago. Ele é uma pessoa de origem humilde, que encontrou no esporte uma forma de crescer e ajudar sua família e a comunidade onde nasceu”, elogia o técnico, que jogou no Japão durante sete anos.

Tradição

O beisebol foi trazido para o Brasil no final do século 19 por norte-americanos que vinham trabalhar nas empresas nacionais. Contudo, a modalidade passou a ser conhecida como o esporte dos japoneses. A explicação é simples: o beisebol se desenvolveu no interior do Estado, onde a Colônia Japonesa representava grande parte da população. Na época, os torneios eram realizados nas fazendas.
A tradição é seguida até hoje pelos descendentes japoneses, que mantêm, além das equipes adultas, as categorias de base para incentivar os pequenos atletas. A Prefeitura de Arujá patrocina um projeto junto ao clube Gecebs para que as crianças conheçam um pouco da cultura regional e aprendam a jogar beisebol. “Priorizamos as categorias de base porque as crianças são o futuro do País. Temos mais de 45 alunos aprendendo, antes de qualquer coisa, valores como união e respeito. Somente assim criaremos grandes esportistas”, conclui Sato.


Regras do jogo

O esporte consiste em marcar pontos, que são chamados de “runs”. O campo é um semicírculo, com um quadrado inserido. As bases ficam posicionadas nos pontos de encontro entre o quadrado e o semicírculo. Cada uma das duas equipes possui nove jogadores.
A dinâmica do jogo funciona da seguinte forma: o “pintcher” (lançador) deve arremessar (em três chances) a bola e passar pelo “runner” (batedor). Atrás deste fica o apanhador, da mesma equipe do arremessador, chamado de “catcher”. O rebatedor deve acertar a bola e correr para as bases. Quando a bola é jogada para fora do estádio a equipe ganha um ponto. Essa jogada é conhecida como “home run”. Os interceptadores do time adversário devem pegar a bola e jogar na direção das bases para os jogadores de sua equipe, para evitar o progresso do batedor. Caso o batedor consiga percorrer todas as bases, o ponto é computado.
O jogo inteiro é composto de nove turnos (ataque e defesa alternados). Cada turno termina quando os três batedores são substituídos. Isso ocorre, quando o ponto não é marcado.

Lucro.com.br

Comércio virtual cresce e vira alternativa de empreendedorismo

Por Débora Kaoru e Orlando Olivas

Fatores como a expansão do plano de acesso à banda larga no Brasil e o aumento de crédito proporcionado pelo governo no último ano fizeram com que as compras pela internet ficassem cada vez mais fáceis. Por isso, o e-commerce, nome dado a plataforma de negócios virtuais, tende a crescer dia após dia. De acordo com o site especializado em compras on line EBit, hoje aproximadamente 23 milhões de brasileiros são e-consumidores e o faturamento estimado do comércio eletrônico para 2010 é de R$ 13,60 bilhões. Um crescimento de 30% em comparação ao ano anterior.
A comerciante Jacqueline Fioschi, 19, trabalha nas ondas da rede há dois anos e conta que a expansão do mercado virtual é um reflexo do perfil dos consumidores modernos. Segundo ela, a variedade e a comodidade oferecidas nessas transações são os itens que mais colaboram para o aumento das compras on line. “As vendas melhoram a cada dia por causa da divulgação, qualidade, variedade e claro segurança. Comprar virtualmente é tão fácil e cômodo, que as pessoas deixam o medo de lado”, explica Jacqueline.
Para a jovem empreendedora, a insegurança dos clientes deve ser driblada com transparência na negociação e respeito. “Antes os consumidores tinham receio de comprar pelos sites, mas no meu caso disponibilizei tópicos e comunidades em redes sociais de pessoas que compraram e aprovaram. Ou seja, utilizo essas ferramentas como recomendação aos futuros clientes”, afirma a comerciante. Um estudo, divulgado no mês de agosto, pelo TNT Research International mostra que a infinidade de opções geradas pelos sites de buscas transforma os consumidores em clientes seletivos e aponta a influência do público no processo de compra.
A pesquisa aplicada nas capitais de São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Rio de Janeiro e Recife, com mil usuários de ambos os sexos - idades entre 16 e 35 anos-, revelou que 76% dos entrevistados procuram informações em fóruns ou blogs antes de decidir onde gastar, 50% já mudaram de opinião sobre uma compra ao encontrarem recomendações negativas e 28% fecharam a negociação baseados no relato de outros consumidores.

Produtos para todos os gostos e bolsos

O fotógrafo Ricardo Arishima, 25, é adepto do e-commerce há mais de 5 anos e disse que usa as vitrines virtuais para “encher o guarda roupa” e também para adquirir “produtos eletrônicos”. As lentes da câmera que usa para trabalhar foram compradas em um site americano. “Gosto muito de comprar pela internet. No universo on line, você consegue adquirir produtos de qualquer país com facilidade e preço justo”, afirma o fotógrafo.
Além da quebra de barreiras, as lojas virtuais oferecem ainda produtos para todos os segmentos. A redatora Caroline Vasconcelos, que escreve sobre comércio eletrônico e empreendedorismo para a REVISTA/SITE/ SEI LÀ, enfatiza que apesar da variedade de objetos divulgados nos sites de venda, atualmente, “os produtos mais vendidos são os eletroeletrônicos e livros”. Ela conta também, que 80% dos e-consumidores encontram-se na faixa entre 25 e 59 anos. Enquanto, apenas, 66% dos consumidores do varejo tradicional representam a mesma faixa etária.
Para atender as necessidades desse público tão exigente e ganhar a dianteira frente à concorrência, os lojistas têm investido em ferramentas que facilitem as compras, de acordo com Caroline. “Os comerciantes investem no inusitado, como oferecer novas formas de parcelamento, o que ajuda na compra de produtos com maior valor agregado. A loja virtual que tiver o maior número de vantagens a oferecer, com certeza sairá na frente na disputa por clientes”, finaliza a redatora.


Cuidado na hora de encher o carrinho

O especialista em relações de consumo Dori Boucault dá dicas de como comprar pela internet, sem correr o risco de ser lesado:
- É importante observar os procedimentos e recursos adotados para garantir a segurança e a confidencialidade da transação eletrônica e de seus dados (pessoais, de consumo e financeiros).
- Busque referências sobre o site que pretende contratar. A escolha criteriosa do fornecedor não despende tempo e pode ser decisiva para garantir que suas expectativas sejam atendidas.
- Anote dados que permitam identificar e localizar a sede do fornecedor, como CNPJ e endereço físico. Caso seja necessário formalizar reclamação junto ao órgão de defesa do consumidor ou recorrer ao Poder Judiciário, você precisará dessas informações.
- Confira todas as características do produto ou serviço ofertado: preços, valores de fretes, despesas adicionais, prazo de entrega ou execução, condições de pagamento. Na compra de produto, avalie se o custo total compensa a comodidade da contratação à distância.
- Em caso de dúvidas, utilize os telefones e endereços eletrônicos para obter esclarecimentos adicionais sobre o produto ou serviço que pretende contratar.
- Verifique se o fornecedor apresentará nota fiscal e se há condições de garantia contratual adicionais e sob quais condições.
- Verifique se há assistência técnica brasileira e acessível autorizada para o exercício da garantia.
- Acesse sites de fabricantes, de avaliadores independentes ou com opiniões de outros consumidores; se possível, solicite demonstração como forma de conhecer melhor o produto.
- Fique atento à política de trocas e aos procedimentos que devem ser adotados em caso de problemas.
- Ao confirmar a contratação, não deixe de imprimir ou guardar, se possível sob a forma eletrônica, todos os documentos que atestam a relação, como número da compra, confirmação do pedido, comprovante de pagamento, contrato ou anúncios.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Programa Nacional de Direitos Humanos. Ou políticos?

Entre as diretrizes formuladas pelo 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH), publicado em dezembro de 2009, a criação de um marco regulatório para os veículos de comunicação é a que mais tem gerado discussões. Profissionais da área e demais formadores de opinião do país questionam os verdadeiros fins da Diretriz 22.
Criado por meio de decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a PNDH 3 ainda não possui força legal. O programa terá que passar pela aprovação do Congresso para que as ações, sugeridas no texto de 180 páginas, sejam legalizadas.
Desde a publicação do decreto, internautas criaram diversos fóruns para debater a questão. Temas como a liberdade de expressão e o direito à informação também são noticiados com frequência pela mídia que, hoje, se vê ameaçada. De acordo com o jornalista Valdir da Silva Alves, o atual Governo tenta calar a mídia desde o início de seu mandato.
“Essa diretriz é a censura mascarada. A política de populismo é um perigo. O maior medo desses governos é a mídia. Primeiro, porque ela é esclarecedora e depois porque os veículos de comunicação denunciam mesmo”, afirma.
O Governo se defende das acusações afirmando que a Diretriz 22 visa “garantir o direito à comunicação democrática e o acesso à informação para consolidação de uma cultura em Direitos Humanos”. Ou seja, o marco regulatório cerceará o conteúdo e opinião das editorias primando “o bem maior”.
Segundo o Decreto, uma comissão será criada para monitorar o conteúdo das empresas de comunicação. Os veículos que violarem os “direitos humanos”, sob o ponto de vista da comissão (Governo), serão penalizados.
“Diretriz 22 - Ações Programáticas: criação de marco legal regulamentando o art. 221 da Constituição, estabelecendo o respeito aos Direitos Humanos nos serviços de radiodifusão (rádio e televisão) concedidos, permitidos ou autorizados, como condição para sua outorga e renovação, prevendo penalidades administrativas como advertência, multa, suspensão da programação e cassação, de acordo com a gravidade das violações praticadas”.
Diga com quem andas…
A diretora da revista Época, sucursal do Rio de Janeiro, Ruth de Aquino, disse, em matéria publicada na última semana, que o receio dos meios de comunicação em relação ao PNDH 3 é totalmente compreensível. De acordo com ela, a “amizade” do presidente Lula com líderes de regimes autoritários é questionável. “Ahmadinejad, Chávez e Fidel recebem elogios do presidente. Pode ser isso um mero detalhe?”, indaga Ruth.
Trecho do artigo: *Os amigos tiranos do Brasil de Lula
“Três regimes autoritários e ditatoriais, que vetam a liberdade de expressão e punem com a prisão quem ouse contestá-los, contam com um aliado de peso no mundo: o Brasil do presidente Lula. Essa amizade incondicional é mais valiosa por ser o Brasil uma democracia, presidida por um líder eleito e consagrado que respeita as instituições e as leis. Esse apoio dá respaldo a tiranos.
[…] Por todas essas circunstâncias, é compreensível o receio com o Plano Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH 3), que não honra o nome ao propor o controle da mídia. Coordenador da campanha de Dilma, Antônio Palocci afirmou discordar da “ideia de interferência estatal na qualidade da comunicação”. Governos autoritários, disse o ex-ministro, tendem a desabar por não permitir o equilíbrio proveniente da crítica.
Seria reconfortante crer que, apesar do silêncio e da cumplicidade do PT e de Lula com ditaduras, tanto ele quanto Dilma assinariam embaixo das palavras de Palocci”.

*Dados para embasamento: Revista Época

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Ah, me deixa...


Ano novo, vida nova, blá blá blá... Detesto as promessas de virada. Espero que 2010 seja surpreendentemente agradável, apenas isso. Não vou dizer que vou emagrecer, ser mais legal com as pessoas, estudar mais e me dedicar mais no trabalho porque isso eu já, tento, fazer o ano inteiro, de verdade o que eu quero é ser feliz e ponto.